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Mostrando postagens de abril, 2011

Ele sorriu. As penas das asas da garota lhe acariciaram a face e uma preocupação silenciosa adornava seus olhos. “ Eu não quero te deixar ”, diziam. Pediam, imploravam, suplicavam. — Está tudo bem — ele repetia, acalmando-a com sua voz. Envolvia-a com seus braços, viu-a fechar os olhos e esconder o rosto no espaço entre seu ombro e pescoço. — Estamos nos arriscando demais — ela sussurrou contra sua blusa. Apertou-a ainda mais em seu abraço. — Se houvesse outro jeito... — ele se interrompeu com um suspiro. — Preciso ir — ela levantou o rosto e encostou seus lábios aos dele. — Estarei te esperando — ele disse para as costas dela. Observou-a até que sua forma delicada sumisse no horizonte. Ela nunca voltou. 罪: Pecado, em japonês. N/A:  Escrevi essa há muito tempo, de madrugada. Só tive tempo pra passar pro PC hoje. D: Pela primeira vez na minha vida uma coisa que era pra fazer eu me sentir culpada e pensar em suicídio de novo só conseguiu fazer com que eu seguisse em frente. E, a...

Lethargus

Acorde. Você tem que acordar. Paredes pichadas. Paredes brancas. Paredes brancas com palavras em preto. Acorde. Vamos, acorde logo. Paredes intermináveis. Sem portas. Sem janelas. Sem saídas. Tente se lembrar. Quem é você? — Eu não sei. Passos. Passos rápidos. Passos assustados. Porque foges? Paredes escuras. Palavras brancas. Vamos, junte-se a mim. Você sabe que não quer acordar. Janelas e portas. Todas trancadas. Sem saídas. Você não quer se lembrar. Não há por que. Um longo corredor. Branco e preto se fundiam. Ora à esquerda, ora à direita. Intercalando-se, estendiam-se pelas paredes sem teto, confusamente. As frases pareciam ser ditas à medida que eram lidas. Duas vozes diferentes tentando se sobrepor uma à outra. Seus tons aumentavam e diminuíam. Não o escute! Tente se lembrar! Não há porque lembrar. De onde você veio? Quem é você? Junte-se a mim! Os passos ficaram mais lentos. Pararam. Não! Não o escute! E porque não? Não há proposta melhor que a minha! As mãos ...

Haine

A porta do quarto se abriu. O barulho de correntes invadiu o ambiente, tilintando mais a cada passo. Aria virou-se na cama. O ruído cessou. — Boa noite — murmurou-lhe a voz em meio às correntes. Sobressaltada, a garota sentou-se na cama e, surpresa, imaginou estar olhando-se em um espelho. Levemente mais desperta, percebeu que não era um espelho. — O que você é? — perguntou. Puxou os lençóis, cobrindo a face e controlando a vontade de gritar. — Eu sou você. — respondeu a figura à sua frente. Estendeu os braços algemados, como um cumprimento, mas não teve resposta. Os lábios transpassados por grossas linhas negras esboçaram um sorriso. Inexplicavelmente, disse: — Sou sua raiva, seu ódio, sua impotência. Sou o que você não mostra ao mundo, o que você não pode fazer. — ... Quê?! — Vamos, eu sei que você entendeu — sentou-se na beirada do colchão; as correntes se arrastaram. — Você está em meu mundo, agora. Pode fazer o que quiser, dizer o que quiser. As pessoas aqui não são reais. Não pa...